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“Já fantasiei muito com as BBB”s“ diz Pedro Bial apresentador do reality show global

— Quer saber o que é sexo? É aqui que tudo acontece, meu irmão! Tem espelho dos dois lados na porta de correr, para se inspirar, antes e depois.

Pedro Bial | Reprodução/Internet
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A casa do BBB todo mundo conhece. E a casa de Pedro Bial, 55 anos, o moderador das emoções daquela gente?

A equipe do ELA foi conhecer o lugar, que está tinindo de novo e até meio vazio, naquela batida de ir curtindo preencher os espaços. Bial nos recebe com jarras de água de coco com hortelã, suando após seus exercícios matinais na esteira à beira da piscina diante de uma televisão.

? Preciso me exercitar para lutar contra a artrose. Enquanto caminho, aproveito para assistir à Globonews ou à CNN.

Numa das paredes, um mural estilo miscelânea com quadrinhos pré-rafaelitas, pinturas da filha Ana Bial (que mora lá mas está de partida para NY, casada) e uma caricatura que Chico Caruso fez de seu filho José ? Bial ainda tem mais três filhos: Marina, João e Théo.

? Estou adorando colar essas coisinhas com as fitas que a criançada usa. E tem uns objetos, tipo essa matrioshka só com escritores russos em vez das bonecas!

Com estrutura de aço oxidado até ficar com cor de madeira, a casa, projeto das arquitetas Carla Marçal e Mônica Vert, tem três pisos e abriga algumas grifes, tais quais um sofá ?saco de jujuba" dos irmãos Campana e trabalhos de Zemog, como os ?nós?, feitos de chapinhas e um conjunto de números inspirado nas dezenas do bicho.

? Eu joguei e ganhei ? jura Bial, que aguarda com ansiedade a chegada de uma tela de Maria Klabin para a sala de estar e está começando a instalar plantas nos nichos que restam no mural de azulejos que o Coletivo MUDA fez ao longo da escada que leva do primeiro piso à área de lazer.

Os orgulhos do anfitrião, contudo, são naturais e as grifes são impressas pela História: um pau-brasil centenário resiste ao tempo, próximo à entrada da casa, e duas rolinhas aguardam num ninho rente à varanda frontal que a mãe traga alimento.

O quarto de Bial não tem nada demais: uma suíte sem exageros, cama King Size, closets expostos e lençóis desarrumados.

? Quer saber o que é sexo? É aqui que tudo acontece, meu irmão! Tem espelho dos dois lados na porta de correr, para se inspirar, antes e depois. Sem espelho, não dá...

Quando começaram a estourar os últimos fogos de 2013 ? vindos de vários bairros, inclusive Copa, e visíveis a partir da cozinha que se abre para o varandão de sua casa nova, no Horto ?, Pedro Bial terminava de cozinhar um hadoque ao leite, perfumado com ervas de sua hortinha particular. Os convidados para o réveillon eram só um casal de amigos queridos, e estava lá também o filho caçula, José Bial, de 11 anos. Praticante de parkour e iniciado no veganismo, José comeu só um prato de frutas exóticas cuja seleção o pai amoroso fez, cuidadosamente, a seu pedido.

? Ele queria um banquete de frutas. Procurei as melhores e mais incomuns da cidade e preparei a bandeja.

Separado há quatro meses de Roberta, sua última namorada (de uma relação de dois anos), ele emburacou logo no trabalho, inaugurando o novo ano dividido entre as tarefas já de praxe nessa época da nova temporada do ?BBB? e a finalização do roteiro de seu primeiro musical, sobre Chacrinha.

? Maluco é assim: não pode ter férias, como disse a Fernanda Young. Tem que se ocupar. Não que eu seja exatamente maluco, mas minha saúde emocional se baseia em me disciplinar para o trabalho. Penso em muita coisa ao mesmo tempo. Várias camadas de pensamento. Por isso, sou esse tagarela aí ? conclui, e silencia, como um ator.

Um olhar do fundo do poço

Entre as várias camadas de pensamento está ainda o luto da separação recente, que impede o tagarela de falar mais sobre o assunto amor. Restam, nesse hiato, os estímulos externos, de caráter erótico-sexual, que chegam junto com o verão carioca, como a série ?Amores roubados"ou o novo filme de Lars Von Trier, ?Ninfomaníaca ? Volume 1?.

? Como disse meu amigo e colega de trabalho João Carrascosa, no momento estou ?manogâmico? ? diz Bial, que cai na gargalhada.

Mas o assunto exige sobriedade.

? Grande novidade o sexo estar na linha de frente de tudo... ? ele reflete, com um certo cansaço filosófico, um spleen geracional, inspirado pela sessão recente de ?Ninfomaníaca?, discutida, na saída, com João Emanuel Carneiro e Amora Mautner, que ele encontrou por acaso no foyer do cinema.

? Fiquei pensando em o quão estranho é o fato de aquele filme de um depressivo escandinavo, um filme totalmente não sexy sobre sexo broxante, combinar tanto, rimar tanto com o tipo de discussão sobre sexo que se tem neste país tropical e solar. No Brasil, o que existe é um blá-blá-blá sobre sexo que não corresponde a uma vida sexual tão feliz assim das pessoas. Aqui, o sexo oral é esse: é o sexo falado. Todo mundo fala, todo mundo expõe suas intimidades, só que é mais com aflição do que com tesão. Uma excitação no mau sentido da palavra ? constata.

Tal preponderância do assunto, tamanha falação, ou felação verbal, conforme for o trocadilho, Bial atribui ao aspecto mais marcante do filme: o desconforto do amor, da ideia do amor, e a rejeição de sua vulgarização, que é sintetizada na repulsa: ?Esse amor eu não quero?.

? O bom de tudo isso, sexo e amor à parte, é que temos um cinema de autor que mexe com as pessoas, de um Bergman contemporâneo com esse olhar do fundo do poço que quase todo mundo adora. Isso é bacana.

Enquanto fala dos assuntos mais subjetivos ? não se enganem ?, Bial está sempre atento ao som polifônico que vem de uma salinha contígua, onde um grande telão, como num filme de Peter Greenaway, divide-se em vários quadros que mostram todos os aposentos do ?BBB?.

? Ah, isso é como um rádio. Eu posso estar lendo um autor russo e, ao mesmo tempo, ouvindo tudo o que se passa lá dentro. Quando é uma coisa relevante, eu paro de ler e presto atenção.

A questão é saber o que é relevante e em que sentido... Com tantas temporadas do programa nas costas, será que este jornalista, escritor, cineasta e apresentador ainda tem fantasias, aqui na casa do Horto, com o que se passa lá, na cultuada casa?

? Já fantasiei muito com as mulheres do ?BBB?, tão vistosas, e, afinal de contas, ali é tudo fantasia! Embora nunca tenha tido contato pessoal com nenhuma delas. Nesta temporada, a primeira que me chamou a atenção é aquela moça franzina, que não teria nada demais se não tivesse implantado 750 mililitros em cada peito, praticamente um aleijão. Mas é o meio de vida dela, virou webcam girl, encontrou uma mina de ouro, é mais assistida no exterior do que aqui. Ainda não acessei o site dela porque tive problemas com o flashplayer, mas claro que vou, por interesse jornalístico, óbvio. Até porque, com ela, me bateu um lance paternal. Quando olhei pro rostinho daquela mulher voluptuosa, vi que é uma menina. Uma menina! É estranho. Zero libido. Uma criança. Dá vontade de falar: por que é que você botou esses peitos, guria?

Casar? Nunca mais

Quem realmente mexeu com os sentidos de Bial neste início de temporada foi a atriz Dira Paes, em ?Amores roubados", assunto do ensaio de capa desta edição do ELA, embora ele garanta que o interesse se deve mais à atuação profissional que aos dotes inatos ou ao estofo caliente das cenas.

? A Dira é uma superatriz. Claro que é uma mulher linda e tudo o mais. Só que o que ela é, isso sim, é um exemplo clássico de uma frase de Cacilda Becker que ninguém me contou, eu mesmo a vi dizer a alguém que a elogiava pelos seus dotes físicos. Cacilda respondeu: ?Eu não sou linda, não sou nem sequer uma mulher bonita, mas, se a personagem for linda, eu fico linda". A Dira é o exemplo disso: sensual, bonita. Mas, linda e gostosa, mesmo, é a personagem, graças ao que ela é como atriz. Não acredito que ela seja frustrada sexualmente como a personagem. Quer dizer, frustrada no casamento. Mas, afinal, quem não é frustrado no casamento? ? reflete Bial, que, embora ainda acredite no amor e no sexo, descarta um retorno à sagrada instituição.

? Casar? Nunca mais.

Até porque, no momento, ele está casado com a casa cujo terreno comprou há dez anos e só agora ficou pronta. Não é um castelo, não é sequer uma mansão ostentatória, como a de muitos artistas pátrios. Tem umas árvores que dão frutas, uma piscina comum, uma churrasqueira, uma miniquadra de basquete e uma ducha onde Bial se refrescou e que resultou na foto desta página, de Fábio Seixo.



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